Saiba que as
sensações e sentimentos de medo, tristeza, desconfortos... são tão importantes
quanto a qualquer outra? E por qual motivo estamos deixando de trabalhar esses
sentimentos? Claro que felicidade é o que todos nos queremos viver e sentir.
Mas o que a tristeza pode nos revelar? O que a tristeza pode dizer sobre nos
mesmo?
Momento
dos Pais conversou com a psicóloga infantil Daniella Freixo de Faria sobre
sentimentos. E a resposta da psicóloga é bem simples: “Temos que viver nossos
sentimentos! Criamos em nossa cabeça que temos, quase que por obrigação, que viver
a melhor parte de nossas vidas. Ou seja, temos que só comer a melhor fatia do
bolo, a felicidade.”, comenta Daniella. Segundo
a psicóloga, estamos deixando de lado sentimentos como: o medo, a frustração, a
depressão, a sensação de impotência, a vulnerabilidade e o desconforto.
Sentimentos esses que fazem parte de nós. “Temos raiva, temos medo, e claro que
não queremos em nenhum momento que nossos filhos passem por isso. E o que estamos
fazendo? Estamos pegando a situação para resolver, tentando livrá-los destas
sensações e sentimentos.”, explica. No entanto, a psicóloga diz que são experiências
importantes e que atender a tudo para fazer o filho feliz não irá ajudá-lo a
conhecer e aprender a lidar com os desconfortos e com a própria vida. “É
importante que ele saiba acolher a si mesmo e o seus sentimentos, todos eles. E
nós também podemos mostrar que também sentimos tudo em nosso dia a dia.”, completa.
Enquanto tentamos tirar isso dos nossos filhos estamos criando uma vida de
ilusão. É quase como se estivéssemos tentando viver somente das imagens que
estão expostas nas redes sociais. A melhor forma de acolher o sentimento é aceitar
ele como também sendo parte de nós. E juntos (pais e filhos) poderão fazê-lo da
melhor maneira possível. Mas para isso é importante sentir! O importante é acolher
esse sentimento ao invés de tentar tirá-lo.
E o que é a tristeza, o medo, o
desconforto, a angustia, a raiva. Eles nada mais são do que ferramentas que nos
ajudam a nos localizarmos em nossas vidas, quando alguma questão pede algum
ajuste em como estamos nos considerando e considerando os outros a nossa volta.
“Esses sentimentos são na verdade a consequência da “bagunça” criada por nós
mesmos. Surgem no nosso cotidiano: seja em não nos planejarmos para ter um
momento em família, seja o trabalho que está te consumindo muito, por ter
esquecido de preparar o lanche do filho.”, comenta a psicóloga. Elas estão ali para
e por algum motivo importante, para trazer o aviso de que algo esta
desconfortável nessa situação e dentro desse propósito. Quando a escuta ao
desconforto acontece, novas posturas podem surgir. E é importante deixar bem claro que sentir essas
sensações e sentimentos não é nenhum sinal de incompetência. Pois temos que
admitir que podemos ser imperfeitos quando nos damos conta de que estarmos aqui
vivos não é mais sobre cumprir a ideia de quem deveríamos ser e sim de sermos a
humanidade que somos. E, infelizmente,
hoje vemos as pessoas fechando a cara, assustadas, buscando tirar essas sensações
que falam tanto sobre nós mesmos. São manifestações naturais como qualquer
outra. Para entende melhor isso podemos usar como exemplo o filme Divertida Mente,
da Disney Pixar. Quem não viu fica aqui a dica de um bom filme! É imperdível! E
para quem viu... você deve lembrar da cena praticamente final do filme que
depois de vermos tanto a “Alegria” fazendo de tudo para salvar o sentimento de
Riley Anderson, uma garotinha de 11 anos, que vive feliz ao lado dos pais e dos amigos na cidade de
Minessota. Até que o pai recebe uma proposta de emprego em São Francisco e a
família se muda para a nova cidade. A “Alegria” vive e vivencia tantas coisas
para resgatar as boas memórias, memórias de alegria de várias fases da garotinha.
E nesta confusão toda em que ela está inserida ela também tem a preocupação
para que a personagem a “Tristeza” não toque em nada, continue acompanhando o
seu caminho sem tocar nas boas lembranças. Até que chega o momento em que ela
se percebe sem solução e tudo em sua volta desmoronando e vê que a “Tristeza”
também faz parte de tudo aquilo. E é ela quem pode, de certa forma, encontrar a
solução, pois é o sentimento que está a tona naquele momento. É preciso sentir,
simplesmente sentir, o momento, e sentir a tristeza, o medo, do que ela está
vivendo. Afinal, a personagem Riley só estava manifestando um incomodo que não
era só dela, mas de toda a sua família. E quando a família olhou para aquele
novo com o sentimento que eles estavam realmente sentindo, eles conseguiram
juntos, em união, superar. Puderam se encontrar nesse lugar da humanidade.
Por
isso, a psicóloga Daniella está propondo sairmos desde mundo de ilusão que
estamos criando para rever e acolhermos nossas verdadeiras sensações e
sentimentos. Estamos contentes no que estamos fazendo? Esse desconforto me
conta o que? Estou me considerando nesse momento de que forma? Olhe para o seu
dia a dia e veja o que acontece em sua vida – que foi criado por você – mas que
hoje já não te faz tão bem. E como pequenos movimentos considerando você,
poderiam fazer uma grande diferença para que você crie algo bom sem deixar de
considerar aqueles ao seu redor. Seu desconforto te dá a primeira pista!
Existem algumas coisas simples que
podemos fazer por nós mesmo, como explica Daniella Freixo de Faria.
- se ouvir
- se observar
- se amar
“É
importante começarmos a ser o que somos e não o que achamos que devemos ser.”,
diz.
A
psicóloga Daniella Freixo de Faria, que hoje está morando em Miami, montou um
curso para pais e outro para profissionais da área, sobre sentimentos, educação
e processos de desenvolvimentos dos filhos. O curso é online com dois encontros
por semana ao vivo onde é possível compartilhar sentimentos, vivências e tirar dúvidas
sobre o material de apoio elaborado pela psicóloga. Informações pelo site: https://educacaoinfantilonline.com/
Sobre Daniela Freixo de
Faria
Daniella Freixo de
Faria (06/58821) é Psicóloga Infantil formada e especializada em psicologia
analítica pela PUC e em transpessoal pela Dep. - Dinâmica Energética do
Psiquismo. Escreve artigos para veículos de comunicação, participa de inúmeros
programas de TV, ministra palestras em escolas e empresas como Escola Nova
Lourenço Castanho, Play Pen, Colégio Visconde de Porto Seguro, Kimberly Clark e
Brinquedos Estrela e também aplica vivências que têm, como objetivo, oferecer
uma atividade transformadora que é elaborada de acordo com a necessidade de
cada escola.
Nas palestras
ministradas, além de informações sobre os temas, Daniella leva os adultos a
despertarem às mudanças na relação entre pais e filhos através de vivências,
prevenindo a distância ou os olhares equivocados.
Daniella ganha cada
vez mais atenção por conta de seu canal de vídeos pela internet, “Conversa com
Criança”, com mais de 230 mil inscritos, Através deles, aborda assuntos e
dúvidas frequentes dos pais em relação aos seus filhos.
Em 2014, colocou
“no papel” a experiência trocada entre pacientes e os milhares de fãs nas redes
sociais lançando o livro “Conversa com criança: Presença - Caminho”.