quinta-feira, 20 de setembro de 2018

DE OLHOS BEM ABERTOS PARA AS SENSAÇÕES




Saiba que as sensações e sentimentos de medo, tristeza, desconfortos... são tão importantes quanto a qualquer outra? E por qual motivo estamos deixando de trabalhar esses sentimentos? Claro que felicidade é o que todos nos queremos viver e sentir. Mas o que a tristeza pode nos revelar? O que a tristeza pode dizer sobre nos mesmo?

Momento dos Pais conversou com a psicóloga infantil Daniella Freixo de Faria sobre sentimentos. E a resposta da psicóloga é bem simples: “Temos que viver nossos sentimentos! Criamos em nossa cabeça que temos, quase que por obrigação, que viver a melhor parte de nossas vidas. Ou seja, temos que só comer a melhor fatia do bolo, a felicidade.”, comenta Daniella.  Segundo a psicóloga, estamos deixando de lado sentimentos como: o medo, a frustração, a depressão, a sensação de impotência, a vulnerabilidade e o desconforto. Sentimentos esses que fazem parte de nós. “Temos raiva, temos medo, e claro que não queremos em nenhum momento que nossos filhos passem por isso. E o que estamos fazendo? Estamos pegando a situação para resolver, tentando livrá-los destas sensações e sentimentos.”, explica. No entanto, a psicóloga diz que são experiências importantes e que atender a tudo para fazer o filho feliz não irá ajudá-lo a conhecer e aprender a lidar com os desconfortos e com a própria vida. “É importante que ele saiba acolher a si mesmo e o seus sentimentos, todos eles. E nós também podemos mostrar que também sentimos tudo em nosso dia a dia.”, completa. Enquanto tentamos tirar isso dos nossos filhos estamos criando uma vida de ilusão. É quase como se estivéssemos tentando viver somente das imagens que estão expostas nas redes sociais. A melhor forma de acolher o sentimento é aceitar ele como também sendo parte de nós. E juntos (pais e filhos) poderão fazê-lo da melhor maneira possível. Mas para isso é importante sentir! O importante é acolher esse sentimento ao invés de tentar tirá-lo.

E o que é a tristeza, o medo, o desconforto, a angustia, a raiva. Eles nada mais são do que ferramentas que nos ajudam a nos localizarmos em nossas vidas, quando alguma questão pede algum ajuste em como estamos nos considerando e considerando os outros a nossa volta. “Esses sentimentos são na verdade a consequência da “bagunça” criada por nós mesmos. Surgem no nosso cotidiano: seja em não nos planejarmos para ter um momento em família, seja o trabalho que está te consumindo muito, por ter esquecido de preparar o lanche do filho.”, comenta a psicóloga. Elas estão ali para e por algum motivo importante, para trazer o aviso de que algo esta desconfortável nessa situação e dentro desse propósito. Quando a escuta ao desconforto acontece, novas posturas podem surgir.  E é importante deixar bem claro que sentir essas sensações e sentimentos não é nenhum sinal de incompetência. Pois temos que admitir que podemos ser imperfeitos quando nos damos conta de que estarmos aqui vivos não é mais sobre cumprir a ideia de quem deveríamos ser e sim de sermos a humanidade que somos.  E, infelizmente, hoje vemos as pessoas fechando a cara, assustadas, buscando tirar essas sensações que falam tanto sobre nós mesmos. São manifestações naturais como qualquer outra. Para entende melhor isso podemos usar como exemplo o filme Divertida Mente, da Disney Pixar. Quem não viu fica aqui a dica de um bom filme! É imperdível! E para quem viu... você deve lembrar da cena praticamente final do filme que depois de vermos tanto a “Alegria” fazendo de tudo para salvar o sentimento de Riley Anderson, uma garotinha de 11 anos, que vive feliz ao lado dos pais e dos amigos na cidade de Minessota. Até que o pai recebe uma proposta de emprego em São Francisco e a família se muda para a nova cidade. A “Alegria” vive e vivencia tantas coisas para resgatar as boas memórias, memórias de alegria de várias fases da garotinha. E nesta confusão toda em que ela está inserida ela também tem a preocupação para que a personagem a “Tristeza” não toque em nada, continue acompanhando o seu caminho sem tocar nas boas lembranças. Até que chega o momento em que ela se percebe sem solução e tudo em sua volta desmoronando e vê que a “Tristeza” também faz parte de tudo aquilo. E é ela quem pode, de certa forma, encontrar a solução, pois é o sentimento que está a tona naquele momento. É preciso sentir, simplesmente sentir, o momento, e sentir a tristeza, o medo, do que ela está vivendo. Afinal, a personagem Riley só estava manifestando um incomodo que não era só dela, mas de toda a sua família. E quando a família olhou para aquele novo com o sentimento que eles estavam realmente sentindo, eles conseguiram juntos, em união, superar. Puderam se encontrar nesse lugar da humanidade.

Por isso, a psicóloga Daniella está propondo sairmos desde mundo de ilusão que estamos criando para rever e acolhermos nossas verdadeiras sensações e sentimentos. Estamos contentes no que estamos fazendo? Esse desconforto me conta o que? Estou me considerando nesse momento de que forma? Olhe para o seu dia a dia e veja o que acontece em sua vida – que foi criado por você – mas que hoje já não te faz tão bem. E como pequenos movimentos considerando você, poderiam fazer uma grande diferença para que você crie algo bom sem deixar de considerar aqueles ao seu redor. Seu desconforto te dá a primeira pista!

Existem algumas coisas simples que podemos fazer por nós mesmo, como explica Daniella Freixo de Faria.

- se ouvir
- se observar
- se amar


“É importante começarmos a ser o que somos e não o que achamos que devemos ser.”, diz.


A psicóloga Daniella Freixo de Faria, que hoje está morando em Miami, montou um curso para pais e outro para profissionais da área, sobre sentimentos, educação e processos de desenvolvimentos dos filhos. O curso é online com dois encontros por semana ao vivo onde é possível compartilhar sentimentos, vivências e tirar dúvidas sobre o material de apoio elaborado pela psicóloga.  Informações pelo site: https://educacaoinfantilonline.com/



Sobre Daniela Freixo de Faria
Daniella Freixo de Faria (06/58821) é Psicóloga Infantil formada e especializada em psicologia analítica pela PUC e em transpessoal pela Dep. - Dinâmica Energética do Psiquismo. Escreve artigos para veículos de comunicação, participa de inúmeros programas de TV, ministra palestras em escolas e empresas como Escola Nova Lourenço Castanho, Play Pen, Colégio Visconde de Porto Seguro, Kimberly Clark e Brinquedos Estrela e também aplica vivências que têm, como objetivo, oferecer uma atividade transformadora que é elaborada de acordo com a necessidade de cada escola.
Nas palestras ministradas, além de informações sobre os temas, Daniella leva os adultos a despertarem às mudanças na relação entre pais e filhos através de vivências, prevenindo a distância ou os olhares equivocados.
Daniella ganha cada vez mais atenção por conta de seu canal de vídeos pela internet, “Conversa com Criança”, com mais de 230 mil inscritos, Através deles, aborda assuntos e dúvidas frequentes dos pais em relação aos seus filhos.
Em 2014, colocou “no papel” a experiência trocada entre pacientes e os milhares de fãs nas redes sociais lançando o livro “Conversa com criança: Presença - Caminho”.

Trailer do Filme “Divertida mente” citado neste texto: https://www.youtube.com/watch?v=LSpeM7G4zfY

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